Três diplomas no futebol e currículo vitorioso: Juan Carlos Osório encantou o SP
O São Paulo foi à Colômbia na quarta-feira (20), passou o dia com o técnico Juan Carlos Osório, do Atlético Nacional, e recebeu resposta positiva após consulta-lo sobre assumir a vaga deixada por Muricy Ramalho no Morumbi. Aguarda, agora, uma ligação do treinador colombiano, de 53 anos, enquanto ainda espera para se reunir na segunda-feira com o português José Peseiro. Em Medellín, o São Paulo ouviu de Osório que não precisará contratar reforços, como queria, para jogar bem.
O presidente Carlos Miguel Aidar nega, mas foi à Colômbia ao lado do
vice-presidente de futebol Ataíde Gil Guerreiro. Em Medellín, assistiram
no centro de treinamento do Atlético Nacional ao treino dos reservas do
time colombiano contra a equipe sub-17, horas antes do jogo válido
pelas quartas de final da primeira fase do Campeonato Colombiano, que
resultaria em empate por 3 a 3 contra o Deportivo Cali. Depois,
almoçaram em restaurante reservado por Osório e, mais tarde, foram à
casa e conheceram a família do treinador, onde assistiram a vídeos de
jogos do São Paulo e ouviram a análise do colombiano.
Osório disse que não precisa de reforços. Apontou como os principais
jogadores do time devem atuar e falou que, se contratado, desenvolverá
trabalho recorrendo a curto prazo ao plantel que já trabalha no CT da
Barra Funda e, a longo prazo, aos jovens que estão nas categorias de
base do clube, em Cotia.
Tal projeto é exatamente o que o São Paulo tinha traçado para o perfil do próximo treinador
e também o identificado pelo clube do Morumbi nas pesquisas que fizeram
chegar ao nome de Osório. O interesse do São Paulo por Juan Carlos
Osório foi publicado pelo UOL Esporte na manhã de quarta-feira.
Em crise financeira, sem conseguir pagar em dia os direitos de imagem
do elenco e com caixa comprometido, o São Paulo quer um treinador que
verticalize o futebol do profissional à base, revele atletas, forme e
gere receita com vendas. Osório aceitou a ideia.
O São Paulo hoje tem uma folha salarial de R$ 8 milhões. O contrato com
a Under Armour, de R$ 81 milhões de aporte financeiro até 2020 e as
parcerias de um ano com Copa Airlines e Gatorade, que renderão ao clube,
juntas, cerca de R$ 6 milhões, ajudam neste momento. Falta, porém, um
patrocínio principal de camisa. O alto custo do futebol e a falta de
receitas deixa o São Paulo hoje sem grande possibilidade de
investimentos.
Enquanto isso, o São Paulo também reformula o projeto de Cotia, que
desde o fim de 2014 é comandada pelo executivo Junior Chávare,
ex-Grêmio. Segundo a diretoria são-paulina, mudou-se nas categorias de
base a captação, monitoramento e avaliação de atletas. Se antes o atleta
ia até o São Paulo, hoje ocorre o contrário. O monitoramento é
regional: olheiros do clube vão até determinada região, fazem uma
primeira seleção e levam os jogadores para uma semana de treinos em
Cotia. O São Paulo diz que passará de 200 para 800 jogadores observados
por ano com o novo projeto e que cada jogador atuará sob os olhares do
clube por pelo menos seis horas antes de ser avaliado, e que antes havia
jovens que eram observados por apenas 20 minutos em uma única peneira.
Na operação montada para conversar com Osório, Aidar e Ataíde também
ouviram do técnico em Medellín que a rescisão de contrato com o Atlético
Nacional não é um problema. Osório afirmou que isso é problema dele e
que será resolvido. Como o clube ainda joga as quartas de final da
primeira fase do Campeonato Colombiano, ainda não confirmou o acordo. No
sábado o Atlético Nacional joga a segunda partida e pode ser eliminado.
Se seguir no torneio, poderá jogar até o dia 7 de junho, data da
segunda partida da final – Osório foi campeão das duas últimas edições
do torneio.
Segundo a diretoria do São Paulo, Osório rechaçou em Medellín a proposta feita pelo Cruz Azul, do México, publicada pelo Blog do PVC.
A oferta era financeiramente superior e inalcançável para os
são-paulinos, que relatam que o colombiano disse que, se fosse para
ganhar dinheiro, teria aceitado uma proposta que recebeu dos Emirados
Árabes Unidos.
Impressionou ao São Paulo o perfil de trabalho de Osório. O colombiano
de 53 anos tem três diplomas de futebol: de treinador pela Associação
Inglesa de Futebol, de gestão técnica pela Associação Holandesa de
Futebol e pós-graduação em ciência do futebol pela Universidade de
Liverpool. Acumula também cinco anos como assistente técnico no
Manchester City, da Inglaterra, entre 2001 e 2006, e trabalhos como
treinador nos Estados Unidos antes de chegar ao Once Caldas e, depois,
ao Atlético Nacional. Tudo isso depois de ter sido jogador de futebol
profissional.
A marca registrada de Juan Carlos Osório à beira do gramado, durante os
jogos, é a forma inusitada de passar mensagens aos jogadores. Em vez de gritos, prefere em muitos momentos passar instruções aos atletas em bilhetes.
Arranca um pedaço de papel de um caderno que leva sempre no bolso,
escreve uma mensagem ou desenha uma mudança tática e dá nas mãos do
jogador.
A diretoria do São Paulo não esperava encontrar cenário tão otimista na
Colômbia. Por isso, tinha agendado para segunda-feira, na capital
paulista, uma reunião com o técnico português José Peseiro, 55. Ele foi
treinador do Al-Wahda (EAU) até fevereiro e já treinou clubes como Braga
(POR), Panathinaikos (GRE) e Sporting (POR). Tem currículo muito menos
vitorioso do que o do colombiano, que tem a preferência do São Paulo e é
esperado para selar acordo em breve.
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